
Letras e cercas

Postado por Éverton Vidal às 21:56 2 comentários
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DESSARTE

Energia cinética em desespero.
Último segundo derradeiro.
Estrada deserta, canto abandonado do continente.
Na reta, dois pontos vindo de frente.
Cada um na sua faixa permanece.
Cada um do outro se esquece.
Uma sombra surgiu sorrateira.
Sono, a pálpebra caiu ligeira.
A jamanta na descida virou serpente.
Acordou seu motorista de repente.
Jamanta e carro se fundiram,
Fogo e aço se uniram.
No fim do mundo, no mundo de alguém,
A dor, a morte e mais ninguém.
Horas depois alguém passa,
Vê no acostamento sinais de fumaça.
Derrapagem no asfalto,
E mais ao longe no mato,
Aço e fogo em hiato.
Desastre, acidente, estatística.
Matéria jornalística.
Desesperança cabalística.
Na placa predominava o número sete.
Saiu de casa dizendo até breve.
Personagem principal: desastre.
Estilo: Crônica poética.
Postado por Eduardo Zechini da Silva às 00:29 3 comentários
Portraits
Postado por Éverton Vidal às 14:58 4 comentários
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Com ou sem ornatos
Postado por Éverton Vidal às 23:00 4 comentários
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Neuron

Bom, não é poesia nem narrativa, mas uma crônica. Porque inovar é preciso (lema do meu chefe...)
É sobre os avanços do paulista Miguel Nicolelis, considerado a maior autoridade global em neurosciência. Ele conseguiu fazer uma macaca mover um braço mecânico apenas com comandos da mente, e soltou isto: "A neurosciência vai libertar a mente do corpo num futuro próximo."
Isso possibilita muitas coisas: uma existência livre de doenças e o fim do envelhecimento. Talvez a vida eterna real, aqui e agora, e a possibilidade de mover as coisas ao redor apenas com a mente: celulares, computadores, o carro, o microondas, as máquinas... igual o Mestre Yoda. Então eu me pergunto: valeria a pena? O que aconteceria com a consciência nestas circunstâncias?
Sabe-se que sentimentos são uma química complexa entre corpo e mente, entre glândulas, hormônios, enfim... se transferíssemos o cérebro para uma máquina, provavelmente não teríamos mais sentimentos, seríamos apenas seres lógicos e monótonos. Sabe aquela música: "Socorro não estou sentindo nada... nem pressa, nem dor, nem medo, nem amor..." Então!
Qual seria o preço do fim das mazelas da carne? Imagine, se eu adoecer, basta dar ctrl + alt + del e reiniciar o sistema. Se o nosso sistema operacional for Windows, f*** tudo, vamos travar o tempo todo!
- Vamos ao cinema?
- Não dá, estou com um malware. Vou ao Dr. Norton Antivírus restaurar.
Seríamos capazes de apreciar a beleza, de sentir o cheiro da chuva na relva e relaxar, de chorar e de sorrir? Na integração entre mente e máquina, seremos mais humanos ou mais máquinas?
Achei maravilhoso as próteses controladas pela mente em amputados (com sensação tátil inclusive!!!) Mas ir mais profundo do que isto eu não achei não. Sei lá, senti calafrio.
Tenho medo de virar um pateta como o C3PO.
Gosto de sentir fome, sede, frio... gosto de apreciar uma boa feijoada, mesmo que eu possa ter um enfarte ou desenvolver câncer e morrer. Eu prefiro viver bem por um tempo do que viver eternamente em uma vida que não é mais vida. Não quero ser uma máquina eterna. O Homem Bicentenário (Robin Williams) conta a história de uma máquina que se torna um homem. Talvez a neurosciência faça o inverso.
A vida eterna teria um preço alto demais: nossa humanidade, ou estou sendo apenas cético?
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Ah, prestigiem meu blog: textosselvagens.blogspot.com - reescrevi alguns textos meus daqui, espero que agrade.
Postado por Eduardo Zechini da Silva às 22:18 4 comentários

